Os carros alegóricos do princípio do século XX patenteiam aquilo que são hoje : criatividade na sua conceção, carga satírica, valorização de elementos plásticos, animação das alegorias. Quase se pode dizer que a alteração mais significativa é a forma de tração que vem evoluindo ao longo dos anos.
Os carros alegóricos são, desde sempre, uma das imagens de marca do Carnaval de Torres. São-no, muito justamente, pelas suas qualidades plásticas, pela sua temática centrada na sátira a temas da actualidade nacional e internacional e pelas suas grandes dimensões.
A concepção e a construção são de execução inteiramente local. Nos últimos anos a conceção tem sido da autoria de Bruno Melo, Fernando Sarzedas, e de Jorge Travanca, com participações mais pontuais de Catarina Lemos, Catarina Sobreiro, Antero Valério e Pedro Silva. Como escultores, além de alguns dos criadores citados, é justo nomear Hélder Silva e Filipe Marques.
A temática inclui inúmeras figuras públicas da sociedade, da política e do desporto.
Os carros originariamente de tração animal, passaram depois a ser puxados por tratores. Nos últimos anos tem-se assistido à crescente introdução de carros auto-motorizados. As grandes dimensões desta dezena de alegorias está materializada nos 14 m de comprimento, 4 m de largura e que frequentemente atingem os 6,5 m de altura.
Em rigor a preparação do Carnaval começa por volta do mês de Março quando a Comissão do Carnaval reúne para proceder à avaliação da edição anterior, definindo as componentes a alterar, melhorar ou a introduzir.
Em Julho é lançado o concurso de conceção de carros alegóricos entre artistas plásticos locais, cuja seleção se processa até ao início de Outubro.
A partir daí começa uma enorme azáfama nos estaleiros da Câmara Municipal e nas duas empresas locais a quem é adjudicada a construção.
Mobilizam-se carpinteiros, serralheiros e pintores que montam a estrutura dos carros alegóricos, enquanto os escultores realizam as caricaturas que vão marcar cada um dos dez carros. Simultaneamente reparam-se os cabeçudos das mazelas recebidas nos corsos anteriores.
Da enorme confusão em que se transformam os estaleiros emergem verdadeiras obras de arte de grandes dimensões, que recebem frequentemente alterações de última hora na sequência de novos factos marcantes.
No sábado anterior ao Carnaval, partem os carros, em caravana para o circuito dos corsos. É um alívio para todos, mas não é sinal de descanso: há que fazer constantes reparações ao longo dos dias de Carnaval.